- A norma de qualidade mais usada do mundo acaba de mudar
- Por que a ISO 9001 interessa a empresas de TI
- O contexto global da revisão
- Por que a ISO 9001 precisou ser atualizada
- Como a norma está estruturada
- As mudanças técnicas que você precisa conhecer
- Transição: prazos e primeiros passos
- O que muda para o auditor líder
- Formação Auditor Líder ISO 9001:2026 na TIexames
- Por onde começar
1. A norma de qualidade mais usada do mundo acaba de mudar
No dia 16 de setembro de 2026 a ISO publicou a ISO 9001:2026, sexta edição da norma de requisitos para sistemas de gestão da qualidade. Ela substitui a ISO 9001:2015 e encerra um processo de revisão conduzido pelo subcomitê ISO/TC 176/SC 2, com participação de organismos nacionais de normalização de dezenas de países. Segundo a própria ISO, mais de um milhão de organizações no mundo usam a norma.
A revisão é uma evolução, não uma reforma. A estrutura de dez cláusulas continua, a abordagem de processos continua, e quem opera um SGQ maduro na versão 2015 não vai precisar reconstruir nada. O que muda são pontos específicos que mexem com liderança, riscos, oportunidades, mudanças e com a forma como o auditor vai buscar evidência.
Duas informações antes de seguir. Se sua empresa é certificada na ISO 9001:2015, o certificado continua válido durante o período de transição, que ainda será formalizado pelo IAF (International Accreditation Forum). E a TIexames já oferece, sob demanda, a formação de Auditor Líder ISO 9001:2026 com certificado credenciado pela Exemplar Global (EUA).
O artigo é longo porque a norma tem públicos muito diferentes, e cada um chega com uma pergunta própria.
2. Por que a ISO 9001 interessa a empresas de TI
Quem trabalha com tecnologia costuma associar certificação ISO à ISO/IEC 27001. Faz sentido: segurança é a primeira pergunta de qualquer cliente corporativo. A ISO 9001 aparece em outro tipo de negociação, cada vez mais comum: quando o cliente é uma indústria, um órgão público, uma empresa de saúde ou do setor automotivo, ou qualquer organização certificada que cobra o mesmo nível de disciplina dos seus fornecedores.
Nessas conversas a pergunta muda. O cliente quer saber se o software sai no prazo combinado, se o suporte responde dentro do SLA, se um defeito reportado tem a causa analisada e se a próxima versão não quebra o que já funcionava. É isso que a ISO 9001 certifica: a capacidade de entregar, de forma consistente, produtos e serviços que atendem aos requisitos do cliente e aos requisitos legais aplicáveis.
Na prática, a norma aparece com frequência nestes tipos de empresa:
- Fábricas de software e empresas de desenvolvimento sob encomenda.
- Provedores de serviços gerenciados (MSP), help desk e service desk terceirizado.
- Data centers, provedores de nuvem e integradoras.
- Empresas de SaaS que vendem para indústria, saúde, governo ou cadeias reguladas, onde a certificação entra na homologação de fornecedores.
Há um segundo motivo, menos óbvio. A DQS, certificadora alemã que emitiu o primeiro certificado ISO 9001 do país, observa que empresas de serviços de TI costumam usar a ISO 9001 como estrutura de base para sistemas integrados, combinada principalmente com a ISO/IEC 27001. Como as normas de sistema de gestão compartilham a mesma arquitetura, a 9001 vira a espinha dorsal onde entram depois a 27001, a 27701, a 20000-1, a 22301 e a 42001. Explicamos esse caminho em detalhe no artigo Como integrar normas ISO num único sistema de gestão.
Um exemplo concreto: numa empresa que desenvolve software e implementa 9001 e 27001 juntas, os controles de desenvolvimento seguro da 27001 podem ser incorporados ao processo de projeto e desenvolvimento da cláusula 8.3 da 9001. Um produto de tecnologia inseguro não tem qualidade, então faz sentido tratar as duas coisas no mesmo processo.
As mudanças da edição 2026 conversam diretamente com a rotina de TI. A tabela abaixo antecipa essa leitura. Cada ponto é detalhado na seção 6.
| Mudança na ISO 9001:2026 | Como aparece numa empresa de TI |
|---|---|
| Cultura da qualidade e comportamento ético | Revisão pós-incidente sem caça a culpados, critérios de pronto respeitados mesmo sob pressão de prazo, transparência com o cliente quando um incidente afeta o serviço, indicadores de SLA reportados sem maquiagem. |
| Política da qualidade ligada à estratégia | Roadmap de produto, metas de disponibilidade e expansão de mercado conectados aos objetivos do SGQ. |
| Riscos separados de oportunidades | Dívida técnica e dependência de um único provedor de nuvem como riscos. Automação de testes e uso de IA no atendimento como oportunidades, cada lista com suas próprias ações. |
| Pensamento baseado em oportunidade | O mesmo rigor que a empresa aplica para evitar indisponibilidade passa a valer para identificar ganhos: nova região de nuvem, automação de deploy, uso de tecnologia emergente no atendimento. |
| Gestão de mudanças reforçada | Migração de nuvem, troca da ferramenta de tickets, reorganização de squads e janelas de deploy planejadas com avaliação de impacto, comunicação e verificação de eficácia. Ponte natural com a gestão de mudanças da ISO/IEC 20000-1. |
| Trabalho remoto e híbrido reconhecidos no texto | A infraestrutura passa a ser tratada considerando trabalho no local, remoto ou combinado, com menção expressa a tecnologia da informação e comunicação. |
| Mudança climática no contexto | Consumo de energia do data center, metas de emissões exigidas por clientes grandes e eventos climáticos extremos que afetam energia, conectividade e disponibilidade. |
⚠️ A ISO 9001 não substitui a ISO/IEC 27001 nem o SOC 2
A 9001 trata da consistência da entrega e da satisfação do cliente. Não certifica controles de segurança. Para empresas de TI que já têm 27001, a 9001 costuma ter escopo mais amplo, porque abrange todos os processos que afetam produto e serviço, e esse ponto precisa ser desenhado com cuidado na integração.
3. O contexto global da revisão
A ISO 9001 é a norma de sistema de gestão com maior número de certificados no mundo. A ISO Survey 2024, última edição disponível, registrou 1.474.118 certificados válidos de ISO 9001:2015. A China concentra 651.851 deles, perto de 44% do total, seguida por Itália (101.426) e Índia (95.007). Para comparação, a ISO 14001 somou 676.232 certificados e a ISO/IEC 27001 ficou em 96.709.
A forma de medir também mudou. Desde 1993 a ISO Survey dependia de dados enviados voluntariamente pelos organismos certificadores, o que gerava oscilações artificiais de um ano para outro. A partir de 2025, a pesquisa passa a ser compilada com dados agregados do IAF CertSearch, a base global de certificações acreditadas.
Quase quatro décadas de edições
A ISO 9001 nasceu em 1987, a partir da norma britânica BS 5750. Cada revisão respondeu a uma pressão do seu tempo:
| Edição | O que trouxe |
|---|---|
| 1987 | Primeira edição, com foco industrial e três modelos separados (ISO 9001, 9002 e 9003) conforme o escopo da empresa. |
| 1994 | Ação preventiva. A ênfase em procedimentos documentados gerou a fama de norma burocrática. |
| 2000 | Unificação em uma só norma, abordagem de processos, envolvimento da alta direção e melhoria contínua. |
| 2008 | Esclarecimentos de redação, sem requisitos novos. |
| 2015 | Estrutura de alto nível (Anexo SL), contexto da organização, partes interessadas e mentalidade de risco. |
| 2024 (Emenda 1) | Mudança climática nas cláusulas 4.1 e 4.2, com efeito imediato e sem período de transição. |
| 2026 | Cultura da qualidade e ética, riscos e oportunidades separados, pensamento baseado em oportunidade, gestão de mudanças reforçada e Anexo A reescrito. |
2026, o ano em que as normas de gestão mudaram juntas
A ISO 9001 não mudou sozinha. Em poucos meses foram publicadas a ISO 14001:2026 (15 de abril), a ISO 9000:2026 com fundamentos e vocabulário da qualidade (maio), a ISO 19011:2026 com diretrizes de auditoria (27 de maio) e, agora, a ISO 9001:2026. Quem opera um sistema integrado de qualidade e meio ambiente vai revisar os dois lados no mesmo ciclo. Sobre a nova 19011, publicamos um artigo completo: Conheça a nova ISO 19011:2026.
💡 Nem todo mundo aplaudiu
A revisão não foi unanimidade. A consultoria americana 9001Simplified, por exemplo, avalia que as mudanças são modestas e que o custo de transição para milhões de empresas não se justifica. Certificadoras como DQS e SGS tratam a edição como uma evolução focada, que esclarece e dá contexto a requisitos existentes. As duas leituras concordam num ponto: quem tem um SGQ bem implementado na 2015 não parte do zero.
4. Por que a ISO 9001 precisou ser atualizada
Toda revisão de norma ISO responde a mudanças no mundo real. A ISO 9001:2015 foi escrita antes da pandemia, antes da popularização do trabalho híbrido e antes da IA generativa entrar nas operações. Três gatilhos explicam a nova edição.
O primeiro gatilho: o jeito de operar mudou
A ANSI, organismo de normalização dos Estados Unidos, resume as pressões acumuladas desde 2015: transformação digital acelerada, trabalho remoto e híbrido, preocupação maior com resiliência, cobrança por responsabilidade ambiental e social e expectativa crescente sobre governança ética. No lançamento, a ISO destacou que a nova edição busca ajudar as organizações a fortalecer a resiliência e atender cadeias de suprimento globais cada vez mais interligadas.
O segundo gatilho: a emenda climática de 2024
Em fevereiro de 2024 a ISO publicou a Emenda 1 da ISO 9001:2015, alinhada à Declaração de Londres sobre ação climática. Ela passou a exigir que a organização avalie se a mudança climática é um tema relevante para o seu SGQ, e acrescentou uma nota lembrando que partes interessadas podem ter requisitos ligados ao clima. A emenda valeu de imediato. Na edição 2026, esse texto foi incorporado de forma definitiva.
O terceiro gatilho: a abordagem harmonizada
A antiga High Level Structure ganhou em 2021 o nome de Estrutura Harmonizada (HS), com ajustes de texto comum entre as normas de sistema de gestão. A seção 0.4 da ISO 9001:2026 declara que a norma aplica a abordagem harmonizada publicada nas Diretivas ISO/IEC para o desenvolvimento de normas de sistemas de gestão, com o objetivo de apoiar o alinhamento e facilitar a integração com outras NSG.
Os bastidores: uma revisão que quase não aconteceu
O caminho até a publicação teve reviravoltas:
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| Maio de 2021 | Depois de uma pesquisa com usuários, o subcomitê vota por confirmar a ISO 9001:2015 sem revisão. |
| Julho de 2023 | Uma nova força-tarefa reavalia o tema e a ISO anuncia o início imediato da revisão. |
| Agosto de 2024 | O primeiro rascunho de comitê (CD1) é rejeitado por problemas estruturais e o trabalho recomeça com um segundo rascunho. |
| Outubro de 2024 | A publicação, antes prevista para 2025, passa a ter setembro de 2026 como meta. |
| 27 de agosto de 2025 | O Draft International Standard (DIS) vai para votação e comentários dos países membros. |
| Dezembro de 2025 | O DIS é aprovado e o grupo de trabalho passa a tratar milhares de comentários. |
| Fevereiro de 2026 | Reunião na Cidade do México, com mais de 80 especialistas, fecha o consenso técnico das cláusulas 1 a 10. |
| Julho e agosto de 2026 | O Final Draft (FDIS) é aprovado e a norma entra na fase de publicação. |
| 16 de setembro de 2026 | Publicação da ISO 9001:2026. |
📋 As principais mudanças listadas para a nova edição
O resumo oficial de mudanças aponta seis pontos:
- a Seção 3 passa a incluir um número limitado de termos e definições centrais de sistema de gestão, e a ISO 9000 permanece como referência normativa para todos os termos da qualidade;
- cultura da qualidade e comportamento ético passam a ser abordados nos requisitos, particularmente em relação à liderança, à conscientização e ao ambiente para a operação dos processos;
- riscos e oportunidades são distinguidos mais claramente, com a consideração separada de ações para abordar cada um;
- os requisitos relacionados a mudanças no sistema de gestão da qualidade foram reforçados;
- o Anexo A foi revisado para esclarecer estrutura, terminologia e intenção dos requisitos, sem introduzir requisitos adicionais;
- o Anexo B foi removido, e as referências a outras normas do ISO/TC 176 passaram para o Anexo A e para o site do comitê.
A lista é o que o próprio documento declara. Ela não esgota o que mudou: há ajustes de redação e renumerações fora dela, tratados na seção 6.10.
⚠️ O que ficou de fora dos requisitos
Muita gente esperava requisitos sobre inteligência artificial e transformação digital. Eles não vieram. A norma continua neutra em relação a tecnologia: cada organização decide como tratar o tema dentro do seu contexto. Também não surgiram requisitos novos de sustentabilidade além do clima, nem de resiliência da cadeia de suprimentos.
Isso vale para os requisitos, não para o texto inteiro. A nota de 7.1.3 passa a qualificar a infraestrutura "para todos os tipos de trabalho (por exemplo, no local, remoto ou uma combinação de ambos)" e cita tecnologia da informação e comunicação. O Anexo A vai adiante: A.7.1.3 diz que trabalho híbrido e remoto e tecnologias emergentes podem introduzir riscos e oportunidades na gestão da infraestrutura; A.5.3 trata da confiança na integridade do SGQ quando tecnologias apoiam a sua gestão; A.7.4 reconhece comunicação por interações automatizadas entre dispositivos. E a introdução 0.1 passa a dizer que o SGQ provê base para o sucesso sustentado e para iniciativas de desenvolvimento sustentável.
Alguns materiais de mercado falam em "integração de IA" como mudança da 2026. Isso não está nos requisitos. A IA pode e deve aparecer na análise de contexto e no registro de riscos e oportunidades, mas por decisão da organização.
5. Como a norma está estruturada
A ISO 9001:2026 mantém as dez cláusulas da estrutura harmonizada. As três primeiras não trazem requisitos. As exigências estão nas cláusulas 4 a 10:
| Cláusula | O que muda em 2026 |
|---|---|
| 1. Escopo | Mantém o propósito: demonstrar a capacidade de prover consistentemente produtos e serviços conformes e aumentar a satisfação do cliente. |
| 2. Referência normativa | A ISO 9000 continua como referência normativa para o vocabulário da qualidade. A referência não é datada, então vale sempre a edição mais recente. |
| 3. Termos e definições | Passa a listar um conjunto limitado de termos comuns aos sistemas de gestão, com organização, parte interessada, alta direção, sistema de gestão, política, objetivo, processo e monitoramento, entre outros. |
| 4. Contexto da organização | Incorpora a emenda climática de 2024 ao texto: 4.1 exige determinar se as mudanças climáticas são questão pertinente, e 4.2 traz nota sobre requisitos de partes interessadas ligados ao clima. |
| 5. Liderança | A lista de 5.1.1 cresce e passa a incluir a promoção da cultura da qualidade e do comportamento ético, da abordagem de processo, do pensamento baseado em risco e do pensamento baseado em oportunidades. A política (5.2.1 e) deve levar em consideração o contexto e apoiar o direcionamento estratégico. |
| 6. Planejamento | 6.1 desdobrada em 6.1.1, 6.1.2 (ações para riscos) e 6.1.3 (ações para oportunidades). 6.3 continua sendo Planejamento de mudanças, com a lista ampliada de quatro para sete itens. |
| 7. Apoio | 7.3 e) inclui a cultura da qualidade e o comportamento ético na conscientização. 7.1.6 passa a exigir conhecimento retido, aplicado e compartilhado. A nota de 7.1.3 reconhece trabalho no local, remoto ou combinado. A nota de 7.1.4 liga o ambiente à cultura e à ética. |
| 8. Operação | Fora da lista oficial, mas com ajustes: 8.1 separa critérios de aceitação de produtos e serviços dos critérios de processo e explicita o controle da provisão externa. 8.2.1 e) passa a tratar de informações sobre ações de contingência, incluindo interrupções na provisão. |
| 9. Avaliação de desempenho | A separação de riscos e oportunidades chega até aqui: 9.1.3 avalia em itens distintos a eficácia das ações para riscos e para oportunidades, e 9.3.2 traz as entradas g) e h) no mesmo formato. |
| 10. Melhoria | Reestruturada. A seção tem agora 10.1 Melhoria contínua e 10.2 Não conformidade e ação corretiva. A 10.3 da edição 2015 deixou de existir e seu conteúdo foi absorvido pela 10.1. |
| Anexo A (informativo) | Reescrito para explicar estrutura, terminologia e conceitos, com esclarecimento de palavras-chave e orientação ampliada sobre riscos e oportunidades. Não cria requisitos. |
| Anexo B | Removido. |
✅ Boa notícia para quem já conhece a 2015
A arquitetura é a mesma. A maior parte do volume novo está nas seções informativas, como introdução e Anexo A. As cláusulas de requisitos têm mudanças pontuais. Quem domina a ISO 9001:2015 precisa estudar as diferenças, não reaprender a norma.
6. As mudanças técnicas que você precisa conhecer
A seguir, cada mudança com três perguntas: o que mudou, por que mudou e como isso aparece numa empresa de tecnologia.
6.1 Cultura da qualidade e comportamento ético entram nos requisitos
O que mudou. Pela primeira vez, a norma exige que a alta direção promova a cultura da qualidade e o comportamento ético, como item da lista de liderança e comprometimento (5.1.1). A conscientização (7.3 e) passa a incluir a cultura da qualidade da organização e o comportamento ético entre os temas que as pessoas precisam conhecer. A NOTA 2 de 5.1.1 esclarece que a cultura da qualidade e o comportamento ético de uma organização refletem-se em seus valores, atitudes, práticas e ações compartilhados.
Atenção à hierarquia do texto. O resumo oficial cita também o ambiente para a operação dos processos. No texto normativo, porém, 7.1.4 não mudou: a referência à cultura está na nota, que diz que alguns fatores do ambiente podem ser influenciados pela cultura da qualidade organizacional e pelo comportamento ético. Nota não gera não conformidade. O requisito audível está em 5.1.1 e em 7.3.
Por que mudou. Um SGQ bem documentado não funciona se ninguém o pratica. A DQS resume bem: a ideia não é transformar empresas em instituições morais, e sim reforçar valores básicos como integridade, confiabilidade e responsabilidade no dia a dia.
Na TI. Pense numa sprint no fim do trimestre, com um defeito conhecido e o time comercial pressionando pelo release. Cultura da qualidade é o que acontece nessa hora. Outros sinais: revisões pós-incidente focadas em causa e não em culpados, comunicação honesta com o cliente sobre falhas e indicadores de SLA calculados sempre pelo mesmo critério.
Onde buscar orientação. O Anexo A remete duas vezes à ISO 10010 como referência de cultura da qualidade, em A.5.1 e em A.7.3. Quem vai implementar tem por onde começar sem inventar método próprio.
Ponto de atenção. É a mudança mais comentada da revisão e também a que mais gera dúvida sobre evidência. Cultura não se prova com um documento. O auditor vai buscar coerência entre o que a direção declara, o que as pessoas relatam em entrevista e o que os registros mostram.
6.2 A política da qualidade precisa conversar com a estratégia
O que mudou. A política da qualidade ganha o item 5.2.1 e): deve levar em consideração o contexto da organização e apoiar o seu direcionamento estratégico. O Anexo A (A.2 f) define direcionamento estratégico como decisões, planos e ações coordenados que orientam a organização no alcance de seus objetivos.
Por que mudou. Em muitas empresas o SGQ vive num universo paralelo ao planejamento estratégico. A mudança reforça que contexto e estratégia fazem parte do sistema, não são pano de fundo.
Na TI. Se a estratégia da empresa é entrar no setor de saúde, a política e os objetivos da qualidade precisam refletir isso: requisitos regulatórios do novo cliente, metas de disponibilidade mais exigentes e processos de validação mais rigorosos.
6.3 Riscos e oportunidades deixam de dividir o mesmo espaço
O que mudou. A cláusula 6.1 foi desdobrada em três. A 6.1.1 mantém a determinação de riscos e oportunidades. A 6.1.2 exige determinar, analisar e avaliar riscos que possam ter efeito indesejável, com ações proporcionais ao impacto potencial. A 6.1.3 faz o mesmo para oportunidades que possam ter efeito desejável, com ações apropriadas ao contexto da organização. Cada uma tem sua própria exigência de integrar as ações aos processos e avaliar a eficácia.
Por que mudou. Na versão 2015 a abordagem era aberta, e na prática a maioria das empresas tratava oportunidade como nota de rodapé do registro de riscos. A DQS aponta que muitas organizações têm dificuldade em identificar e aproveitar oportunidades de forma sistemática. O Anexo A reforça: riscos e oportunidades são distintos e podem ser determinados e abordados por processos separados.
Na TI. Riscos típicos: dependência de um único provedor de nuvem, dívida técnica acumulada, rotatividade de desenvolvedores, componente de código aberto sem manutenção. Oportunidades típicas: automação de testes, uso de IA no atendimento de primeiro nível, abertura de uma nova região de nuvem para reduzir latência. Cada lado passa a ter ações, responsáveis e acompanhamento próprios.
A separação não para na cláusula 6. Ela se propaga para a análise e avaliação (9.1.3, itens e e f) e para as entradas da análise crítica pela direção (9.3.2, itens g e h). Quem só separar a planilha de riscos e esquecer a reunião de análise crítica deixa a cadeia incompleta.
6.4 O pensamento baseado em oportunidade ganha o mesmo peso do pensamento baseado em risco
O que mudou. A edição 2015 falava em mentalidade de risco. A 2026 introduz o par: pensamento baseado em risco e pensamento baseado em oportunidade. A dupla aparece na descrição da abordagem de processo (0.3.1), no relacionamento com outras normas de sistema de gestão (0.4), na lista de deveres da alta direção (5.1.1 k), no Anexo A com seções próprias (A.6.1.2 e A.6.1.3) e na orientação sobre controles operacionais (A.8.1).
Por que importa. É o desdobramento conceitual da separação de 6.1. Não basta ter uma lista de oportunidades: a norma pede que a organização pense em oportunidades da mesma forma sistemática com que pensa em riscos, no planejamento e na tomada de decisão, nos níveis estratégico, tático e operacional. O Anexo A também esclarece que aplicar pensamento baseado em risco não obriga a adotar um processo formal de gestão de riscos.
Na TI. A maioria das áreas de tecnologia já tem rituais de risco: análise de impacto de mudança, postmortem, matriz de severidade. O equivalente para oportunidade quase nunca existe. Um caminho prático é usar as fontes que o próprio Anexo A sugere: mudanças nas condições de mercado, tecnologias emergentes, requisitos regulatórios e resultados de monitoramento e medição. Indicadores de suporte e de disponibilidade, lidos com essa lente, apontam oportunidade tanto quanto apontam risco.
6.5 Gestão de mudanças reforçada
O que mudou. A cláusula continua sendo 6.3, Planejamento de mudanças, com o mesmo título da edição 2015. O que mudou foi o conteúdo: a lista do que a organização deve considerar passou de quatro para sete itens. Continuam o propósito e as potenciais consequências, o impacto sobre a integridade do SGQ, a disponibilidade de recursos e informações e a alocação ou realocação de responsabilidades e autoridades. Entram três novos:
- a comunicação das mudanças;
- como a eficácia das mudanças será monitorada e avaliada;
- como os resultados das mudanças serão analisados criticamente.
Por que mudou. Organizações mudam mais rápido do que em 2015. Reestruturações, fusões, troca de sistemas e novos modelos de trabalho afetam processos e, quando mal planejados, derrubam a qualidade. Os três itens novos fecham o ciclo: antes bastava planejar, agora é preciso comunicar, medir e revisar depois.
Na TI. Esse é o ponto de contato mais direto com a ISO/IEC 20000-1 e com práticas de gerenciamento de mudanças. Migrar de um provedor de nuvem para outro, trocar a ferramenta de gestão de tickets ou reorganizar squads são mudanças no SGQ. Quem já faz post-implementation review de mudança maior tem metade do caminho pronto: falta ligar esse registro ao SGQ.
Atenção. A 6.3 trata de mudanças no sistema de gestão da qualidade. Ela não substitui 8.5.6 (controle de mudanças na produção ou provisão de serviço) nem 8.3.6 (mudanças de projeto e desenvolvimento), que continuam existindo com a mesma finalidade. São três requisitos distintos que auditores confundem com frequência.
6.6 Mudança climática incorporada ao texto
O que mudou. O conteúdo da Emenda 1 de 2024 foi incorporado à cláusula 4. A 4.1 exige que a organização determine se as mudanças climáticas são uma questão pertinente. A 4.2 traz nota lembrando que partes interessadas pertinentes podem ter requisitos relacionados ao tema. O requisito não foi ampliado em relação à emenda.
Por que mudou. A emenda era um remendo sobre o texto de 2015. A nova edição consolida o tema e o conecta ao contexto. O Anexo A vai um pouco além e explica que expectativas ligadas ao clima podem influenciar requisitos de partes interessadas em compliance regulatório, requisitos de clientes e compromissos organizacionais.
Na TI. Clientes grandes já cobram metas de emissões dos fornecedores. Eventos climáticos extremos afetam energia e conectividade, com impacto direto em disponibilidade. Quem concluiu que o clima não é relevante precisa ter essa conclusão fundamentada, porque o auditor vai perguntar.
6.7 Termos e definições dentro da própria norma
O que mudou. A Seção 3, que na edição 2015 apenas remetia à ISO 9000, agora traz um conjunto limitado de termos centrais de sistema de gestão, entre eles organização, parte interessada, alta direção, sistema de gestão, sistema de gestão da qualidade, política, objetivo, processo e monitoramento. A ISO 9000 continua como referência normativa para todo o vocabulário da qualidade.
Na prática. Quem implementa ou audita precisa ler a ISO 9000 na edição vigente junto com a 9001. Definições revisadas mudam a interpretação de requisitos.
6.8 Anexo A reescrito e Anexo B removido
O que mudou. O Anexo A, informativo, foi revisado a fundo. Ele próprio declara, em A.1, que as informações são consistentes com os requisitos e não os complementam, subtraem ou modificam. O Anexo B, que listava outras normas do ISO/TC 176, foi retirado. A ISO também anunciou que a ISO 9001 fará parte da sua primeira oferta de conteúdo digital aprimorado, prevista para 1º de outubro de 2026.
O trecho mais útil é o A.2. Ele encerra discussões antigas de interpretação ao definir o significado de palavras que aparecem nos requisitos:
| Termo | O que o Anexo A esclarece |
|---|---|
| Apropriado / aplicável | Não são intercambiáveis. Apropriado significa adequado ao contexto e envolve julgamento. Aplicável significa que, se o requisito for pertinente ou possível, ele se aplica. |
| Considerar / levar em conta | Considerar é refletir sobre o tópico para decidir se ele entra nas decisões ou ações. Levar em conta é refletir e incluir. |
| Contínua | Duração ao longo do tempo, com intervalos de interrupção. É a palavra correta para melhoria no contexto da gestão da qualidade. |
| Assegurar | Responsabilização pelo resultado, não execução direta. As ações podem ser delegadas. |
| Informação documentada | "Deve estar disponível como informação documentada" trata de disponibilidade. "Deve estar disponível como evidência de" trata de retenção de evidência objetiva, sem implicar requisito legal de prova. |
| Direcionamento estratégico | Decisões, planos e ações coordenados que orientam a organização no alcance de seus objetivos. |
O A.2 esclarece ainda que a numeração dos itens nas listas serve apenas para identificação e citação, sem indicar sequência, prioridade ou importância relativa. Para consultores e auditores, o Anexo A passa a ser leitura obrigatória.
6.9 Alinhamento com outras normas de sistema de gestão
O que mudou. A seção 0.4 declara que a norma aplica a abordagem harmonizada das Diretivas ISO/IEC, para apoiar o alinhamento e facilitar a integração com outras normas de sistema de gestão. Ela lista três companheiras diretas: a ISO 9000 para conceitos e vocabulário, a ISO 9002 para orientação de aplicação, ainda em fase de draft, e a ISO 9004 para sucesso sustentado.
Na TI. Para quem mantém 9001 junto com 27001, 27701, 20000-1, 22301 ou 42001, o texto comum mais alinhado reduz retrabalho na política integrada, na análise crítica pela direção, na auditoria interna e no tratamento de não conformidades.
6.10 Mudanças que não estão na lista oficial
A lista de seis mudanças é o que o documento declara. Ao comparar cláusula por cláusula com a edição 2015 aparecem outros ajustes, e alguns afetam check-lists e matrizes de correlação:
- Seção 10 renumerada. A 10.3 Melhoria contínua deixou de existir. A seção agora tem 10.1 Melhoria contínua e 10.2 Não conformidade e ação corretiva. Todo documento interno que cita 10.3 precisa ser atualizado.
- 7.1.6 Conhecimento organizacional. Sai de conhecimento mantido e disponível para conhecimento retido, aplicado e compartilhado. A norma também pede que, ao abordar necessidades e tendências de mudanças, a organização considere o conhecimento atual e determine como obter o que falta. A nota passa a incluir conhecimento representado em sistemas digitais.
- 8.1 Planejamento e controle operacionais. Critérios para aceitação de produtos e serviços e critérios para os processos passam a ser itens separados. A cláusula também explicita que processos, produtos e serviços providos externamente pertinentes ao SGQ devem ser controlados.
- 8.2.1 Comunicação com o cliente. O item sobre contingência passa a ser prover informações relacionadas a ações de contingência, incluindo ações relacionadas a interrupções na provisão de produtos ou serviços. A nota reconhece canais como site, redes sociais e FAQ.
- 9.1.2 Satisfação do cliente. Redação simplificada para monitorar a satisfação do cliente e determinar os métodos de obtenção, monitoramento e análise crítica da informação.
- 5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades. A lista passa de cinco para seis itens, separando o relato de desempenho do relato de oportunidades de melhoria.
6.11 O que continua exatamente igual
Os sete princípios de gestão da qualidade continuam os mesmos: foco no cliente, liderança, engajamento das pessoas, abordagem de processo, melhoria, tomada de decisão baseada em evidência e gestão de relacionamento. O ciclo PDCA, a abordagem de processos, a melhoria contínua e o engajamento da liderança seguem no centro da norma. O pensamento baseado em risco permanece, agora acompanhado do pensamento baseado em oportunidade. Nenhuma dessas bases foi retirada. Por isso a transição, para quem tem um SGQ efetivo, é de ajuste e não de reconstrução.
7. Transição: prazos e primeiros passos
O prazo oficial de transição é definido pelo IAF em documento próprio. Até a publicação deste artigo, a regra ainda não havia sido divulgada. O mercado trabalha com a expectativa de três anos, o mesmo prazo usado na transição anterior, o que levaria o fim da validade dos certificados 2015 para perto de setembro de 2029. A DNV lembrou que, como as mudanças são limitadas, um período menor pode ser proposto. Por isso, a recomendação é não planejar contando com o último dia.
Há um detalhe que encurta a janela real. Os organismos certificadores precisam treinar auditores e obter acreditação na nova versão antes de emitir certificados, processo que costuma levar de 9 a 12 meses. Na prática, as auditorias de transição devem ganhar ritmo em 2027, e a janela efetiva fica próxima de dois anos.
A história ajuda a prever o comportamento do mercado. Na transição para a ISO 9001:2015, que terminou em 14 de setembro de 2018, a maioria das organizações quase não se mexeu nos primeiros 12 meses. Quem deixou para o fim encontrou certificadoras sem agenda.
No Brasil, os organismos certificadores são acreditados pela Cgcre/Inmetro, que segue as regras do IAF. A versão brasileira, ABNT NBR ISO 9001:2026, adota a ISO 9001:2026 de forma idêntica em conteúdo técnico, estrutura e redação, e ainda deve ser publicada pela ABNT após a Consulta Nacional.
✅ Seu certificado ISO 9001:2015 continua válido
A publicação da nova edição não cancela certificados existentes. Auditorias de manutenção e recertificação seguem na versão 2015 até a organização migrar, dentro do prazo que o IAF definir. E quem ainda não é certificado não ganha nada esperando: um SGQ bem implantado hoje exige poucos ajustes para a 2026.
Um cronograma realista para empresas de TI certificadas
| Período | O que fazer |
|---|---|
| 0 a 3 meses | Adquirir a norma e a ISO 9000 vigente, capacitar quem lidera o SGQ e fazer o gap analysis contra o texto novo. |
| 3 a 9 meses | Revisar política e objetivos, separar o tratamento de riscos e oportunidades até a análise crítica, atualizar o procedimento de mudanças com comunicação e verificação de eficácia, incluir cultura e ética no programa de conscientização e corrigir as referências de cláusula na documentação. |
| 9 a 15 meses | Rodar auditoria interna com base na 2026 e levar os resultados para a análise crítica pela direção. |
| 15 a 24 meses | Agendar a auditoria de transição com o organismo certificador, de preferência junto de uma manutenção ou recertificação já prevista. |
Para o gap analysis, oito perguntas resolvem a maior parte do trabalho:
- A alta direção consegue mostrar, com exemplos, como promove cultura da qualidade e comportamento ético?
- A política da qualidade faz referência ao contexto e ao direcionamento estratégico da empresa?
- Riscos e oportunidades têm ações, responsáveis e acompanhamento separados?
- A eficácia das ações para riscos e para oportunidades é avaliada separadamente na análise de dados e na análise crítica pela direção?
- O procedimento de mudanças do SGQ cobre comunicação, monitoramento da eficácia e análise crítica dos resultados?
- A análise de contexto registra, com justificativa, a relevância da mudança climática?
- O conhecimento organizacional é retido, aplicado e compartilhado, e não apenas arquivado?
- Check-lists, matrizes de correlação e procedimentos citam a numeração da edição 2026, incluindo o fim da 10.3?
8. O que muda para o auditor líder
Para quem audita, a nova edição muda menos o roteiro e mais a forma de buscar evidência. A tabela resume as diferenças mais visíveis numa auditoria típica:
| Atividade | Antes (9001:2015) | Agora (9001:2026) |
|---|---|---|
| Entrevista com a alta direção | Comprometimento, recursos e análise crítica. | Os mesmos itens, mais evidências concretas de promoção da cultura da qualidade e do comportamento ético. |
| Entrevistas com equipes | Conhecimento da política, dos objetivos e da contribuição individual. | Também percepção sobre cultura e ética, por força de 7.3 e). Coerência entre discurso da direção e relato das pessoas vira evidência. |
| Política da qualidade | Apropriada ao propósito e ao contexto. | Rastreável até o direcionamento estratégico declarado pela organização. |
| Riscos e oportunidades | Frequentemente um registro único, com oportunidades em segundo plano. | Ações distintas para cada lado (6.1.2 e 6.1.3), com eficácia avaliada em separado em 9.1.3 e nas entradas 9.3.2 g) e h). |
| Mudanças no SGQ | Verificação pontual, muitas vezes só quando o auditado cita a mudança. | Amostragem ativa de mudanças do período, do planejamento que as precedeu, da comunicação feita e da verificação de eficácia depois. |
| Contexto | Questões internas e externas. | Conclusão fundamentada sobre a relevância da mudança climática, já consolidada no texto. |
| Redação do relatório | Citação pela numeração de 2015, incluindo 10.3. | Numeração atualizada e vocabulário do Anexo A (apropriado, aplicável, considerar, assegurar) usado com o significado que a norma define. |
Dois cuidados extras valem menção. O primeiro é distinguir requisito de nota: a cultura aparece como requisito em 5.1.1 e 7.3, e como nota em 7.1.4. O segundo é não confundir os três requisitos de mudança, 6.3 para o sistema de gestão, 8.3.6 para projeto e desenvolvimento e 8.5.6 para produção e provisão de serviço.
A forma de conduzir a auditoria segue a ISO 19011:2026, publicada em maio, que ampliou a orientação sobre auditoria remota e locais virtuais. Para a ISO 9001, auditoria 100% remota nem sempre é viável, principalmente quando há produto físico ou serviço prestado em espaço físico. Em empresas de software e serviços em nuvem, o componente remoto tende a ser maior.
E para quem já se formou como Auditor Líder ISO 9001:2015? O certificado não é cancelado. Ele comprova competência na edição 2015, que continua sendo auditada enquanto durar a transição. Para conduzir auditorias com base na 2026, o caminho é atualizar o conhecimento, e o mercado vai cobrar isso rápido: certificadoras, clientes que auditam fornecedores e empresas que preparam sua transição vão procurar profissionais que dominem a nova edição.
Cultura da qualidade não aparece num procedimento. Ela aparece quando o auditor pergunta ao analista de suporte o que acontece quando um chamado estoura o SLA, e a resposta bate com o que a diretoria disse na reunião de abertura.
9. Formação Auditor Líder ISO 9001:2026 na TIexames
A TIexames é Recognised Training Provider (RTP) da Exemplar Global, uma das duas acreditadoras mais respeitadas do mundo para capacitações em conformidade com normas. A formação de Auditor Líder ISO 9001:2026 está disponível sob demanda e prepara o profissional para atuar nos três tipos de auditoria: interna, em fornecedores e de certificação.
- Conteúdo: interpretação da ISO 9001:2026 e prática de auditoria com base na ISO 19011:2026, com estudos de caso e simulações.
- Carga horária: 30 horas.
- Prova final inclusa: 40 questões de múltipla escolha, nota mínima de 75%, sem consulta e monitorada por webcam, com duas tentativas em até 90 dias.
- Certificado: Certificate of Attainment em inglês com o selo de acreditação da Exemplar Global e registro no diretório público da acreditadora.
- MBA: a formação pode compor as trilhas do MBA em Sistemas de Gestão ISO e do MBA em Governança, Riscos e Compliance, ambos reconhecidos pelo MEC.
Auditor Líder ISO 9001:2026
Formação sob demanda com certificado credenciado pela Exemplar Global (EUA). Comece pela nova edição da norma e pela nova ISO 19011.
10. Por onde começar
A ISO 9001:2026 não pede que ninguém jogue fora o que construiu. Pede que a qualidade apareça no comportamento das pessoas, que oportunidades recebam a mesma atenção dos riscos, que mudanças sejam planejadas, comunicadas e verificadas, e que a política converse com a estratégia. Para empresas de TI, isso tem tradução direta em release, suporte, SLA e escolha de fornecedores.
Três caminhos práticos para começar:
- Ler o texto oficial. A ISO 9001:2026 está disponível em inglês na loja da ISO. A versão ABNT NBR deve vir na sequência. Reserve tempo para o Anexo A, especialmente o A.2.
- Ler a ISO 9000 vigente junto. Ela traz os fundamentos e o vocabulário que a 9001 usa como referência normativa.
- Atualizar a formação. Quem vai liderar a transição ou auditar pela nova edição precisa dominar as diferenças antes que o mercado comece a cobrar. A formação de Auditor Líder ISO 9001:2026 está disponível sob demanda.
Para aprofundar, leia também Conheça a nova ISO 19011:2026 e Como integrar normas ISO num único sistema de gestão.